sábado, 28 de junho de 2014

Contemplando as Pinturas Tradicionais Chinesas

O gosto popular por obras de arte se restringe a representação fiel da natureza de acordo com padrões estéticos ocidentais, que basicamente estão ligados aos padrões perpetuados pelos gregos. Não é difícil nos depararmos com estilos e maneiras diferentes de representação do mundo, o difícil mesmo é contemplar algo novo, despido de opiniões prontas e sem nenhum preconceito.


Detalhe da obra "Ao Longo do Rio Durante o Festival Qingming".

A arte produzida no oriente respeita padrões e conceitos diferentes dos nossos e raramente são exploradas com a devida atenção. Apesar de terem influenciado grandes nomes como Monet e Van Gogh, as pinturas orientais passam despercebidas na história da arte que vimos durante a vida escolar.

As pinturas tradicionais chinesa, são feitas sobre rolos de seda ou papel, normalmente em suportes na horizontal, chamados de "juan" e na vertical, chamados "zhou", ambos nos obrigam a uma contemplação fragmentada da imagem, pois os rolos possuem metros de comprimento, nos obrigando a valorizar os detalhes de cada momento da pintura. Diferente das pinturas ocidentais que (veja o exemplo), na maior parte das vezes, nos dá a possibilidade de identificar a imagem como um todo. 

"Ao Longo do Rio Durante o Festival Qingming", atribuída ao artista Zhang Zeduan (1085-1145). Tamanho: 25,5 cm× 525 cm.
As imagens na horizontal podem chegar a dezenas de metros, obrigando-nos a visualiza-la cena a cena. Os trabalhos devem ser expostos em uma parede ou mesa, ou ser desenrolado aos poucos. Os artistas chineses são extremamente detalhistas (veja no exemplo acima), as cenas são construídas nos mínimos de talhes, cheias de personagens únicos e diversas ações do cotidiano. Por excederem os limites da nossa visão nos obriga a uma apreciação cautelosa, vagarosa e fisicamente próxima da obra.

"Estudioso chinês em um prado", pintura do séc. 11.
As pinturas na vertical possuem uma composição mais elaborada que brinca com o ponto de vista do observador. Nos baseamos a partir de 3 pontos de vista contínuos, de baixo para cima: primeiro plano, centro e parte superior.

No primeiro plano (em baixo) existe uma indicação de perspectiva, a profundidade da imagem, que leva o observador diretamente ao centro onde encontramos figuras chapadas (sem volume), uma visão frontal que se opõem diretamente com o observador. Na parte superior seria o oposto da primeira, existe uma indicação de profundidade  que faz nosso olhar voltar para o centro, como se uma abóboda que envolvesse o observador.
Ao contrário das leis metódicas de perspectiva utilizadas no oriente aqui a perspectiva é criada através do caminho percorrido pelo o olhar do observador . Personagens e paisagem se complementam sem disputar importância.

Importante salientar que existem outros tipos de composição, que podem valorizar a imagem de maneiras diferentes, entre tanto essa duas opções de composição citadas a cima caracterizam as pinturas chinesas mais tradicionais.

Vini Jovino.

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Bibliografia:

Four Treasures of the Study. Disponível em <http://www.chinaonlinemuseum.com/painting-four-treasures.php>. Acesso em:10 de janeiro de 2014

LAURENT, Cédric. AS DEZ ETAPAS DE UMA “VIAGEM IMÓVEL” NA PINTURA CHINESA. Seis séculos de pintura chinesa, Catálogo exposição pinacoteca, São Paulo, p. 17-23, 2013.



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